"Cadeira elétrica" é testada para osteoporose
Estofado criado por pesquisadores da USP e da Unifesp emite carga elétrica para estimular regeneração óssea
Vinícius Oliveira/Folhapress
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HÉLIA ARAUJO
DE RIBEIRÃO PRETO
Uma cadeira que emite sinais elétricos está sendo testada em São Paulo no tratamento para a osteoporose.
O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores
da USP (Universidade de São
Paulo) de São Carlos e da
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Hoje, o tratamento da osteoporose é feito com remédios e exercícios físicos.
A nova tecnologia produz
sinais elétricos que atingem
diretamente os ossos mais
prejudicados pela doença:
fêmur, coluna e bacia. Duas placas metálicas ficam escondidas sob um estofado. Para realizar o
tratamento, o paciente deve permanecer sentado na cadeirinha por 20
minutos após acionar um botão. As duas placas formam
um campo elétrico, que age
nos ossos durante esse tempo. Não há dor.
Ao todo, são cinco sessões
por semana e, quando o tratamento é concluído, o aparelho avisa.
Segundo a fisioterapeuta
da Unifesp Ana Paula Lirani
Galvão, quando o campo elétrico atinge os ossos, algumas células do organismo
captam os sinais e estimulam
a formação de uma nova
massa óssea, o que faz aumentar a absorção de cálcio. Em uma
pessoa sem osteoporose, os
ossos têm células que captam sinais mecânicos - gerados, por exemplo, pela ação
de andar ou correr - e mandam carga elétrica para outras células responsáveis por
formar mais ossos.
"Ao longo da vida, perdemos essas células que captam os sinais e também fazemos menos atividades que
produzem essa energia, o
que provoca o enfraquecimento dos ossos."
O objetivo da nova técnica
é criar os sinais elétricos que
o corpo deixou de mandar e,
assim, estimular a formação
da nova massa óssea.
Os primeiros testes foram
feitos há seis anos em ratos e
os resultados foram positivos. Agora, os testes estão
sendo feitos em cem idosos
que estão internados em três
asilos de São Paulo - 40 deles sob efeito placebo, ou seja, sem efeitos reais.
"Os testes em humanos
[que começaram há seis meses] ainda não foram concluídos, mas pela experiência
com os ratos, acreditamos
que serão positivos."